quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Breathe in. Breathe out.

UPDATES SOBRE A RIFA (19/07/2017):
Pessoal, felizmente as rifas que estavam sendo vendidas online já terminaram!! Agora só tem disponível rifa para ser comprada pessoalmente. Meus mais sinceros agradecimentos a todos que compraram, compartilharam e ajudaram a divulgar a nossa ação, foi um verdadeiro sucesso!! Estamos preparando ações futuras para ajudar o nosso pequeno, mais informações aqui.


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Naquele domingo de manhã, estava começando o tempo do advento. Tempo de espera e preparação para a chegada do Menino Jesus. Que tempo mais abençoado para esperar pelo meu menino! Na missa, durante o sermão, o padre explicava sobre como viver mais verdadeiramente esse momento e falou uma frase que parecia feita para mim. “Devemos ter o passado redimido, viver o presente plenamente e ter esperança no futuro”. Nunca na vida eu tinha precisado tanto me redimir do meu passado como agora. Mas como eu faria isso? Como eu me livraria da culpa que insistia em pesar em meus ombros? Será que Deus de fato me perdoava por ter falhado tão gravemente em cuidar do anjo que Ele tinha me dado de presente? Eu sabia que esse caminho da redenção seria longo, mas eu teria que cruzá-lo... Viver o presente plenamente. Esse era o nosso lema atual. Tínhamos nos prometido que viveríamos um dia de cada vez, sem pensar no que poderia acontecer dali um ou dois dias, ou até mesmo dali algumas horas. Até porque, pensar no dia seguinte, era pensar nas inúmeras possibilidades do que poderia vir a acontecer ao pequeno, incluindo as piores. Ter esperança no futuro. Era o que nós mais tínhamos no momento, esperança, fé. Ainda mais agora que aos poucos o pequeno vinha reagindo cada vez mais. Os movimentos sutis que ele fazia com as pernas, pés, cabeça e mãos pareciam cada vez mais sensíveis e frequentes. Às vezes ele chegava a reagir só pelo som de algum barulho, como a nossa voz, ou mesmo sem estímulo nenhum.
Só que o fato do pequeno escapar do pior prognóstico possível, não necessariamente significava que ficaria tudo bem. O outro diagnóstico dos médicos era tão ruim quanto, ou, para mim, pior ainda. Estado vegetativo. A morte seria bem difícil de aceitar. Eu sentiria saudades do pequeno todos os dias para o resto da minha vida. No seu lugar haveria um vazio impossível de ser preenchido. Eu jamais seria plena novamente. Mas haveria dentro de mim uma paz em saber que ele estaria num lugar infinitamente melhor do que o nosso. Ele estaria no céu, junto do Pai, desfrutando da vida eterna, onde um dia nos encontraríamos novamente. Pensar no meu pequeno numa cama para sempre era o oposto disso. Era saber que ele estaria sofrendo todos os dias para o resto da sua vida. Nosso pequeno tão ativo, tão acelerado, que sempre nos cansava só de pensar na quantidade de energia que ele tinha, preso no seu próprio corpinho. Isso era impossível de aceitar. Para mim, era tudo ou nada. Vida plena ou morte. Nós queríamos nada mais e nada menos do que o milagre concedido a Marta e Maria quando pediram por seu irmão Lázaro a Cristo.
Naquela noite fui dormir lembrando do meu aniversário. Nós já estávamos na casa nova há uns 10 dias. Minhas irmãs com seus respectivos, meu sobrinho e minha mãe vieram passar o final de semana conosco. No sábado fizemos um churrasco e eu pude chamar todos os meus amigos que moram próximo. Foi um dia delicioso, o tipo de comemoração que eu não tinha há anos, tendo em vista a distância dos nossos últimos endereços. O pequeno e meu sobrinho se esbaldaram de brincar juntos. E uma certa hora eles começaram a brincar perto da piscina. Eu alertava o pequeno sobre o perigo e o pedia para sair de perto e brincar em outro lugar. Mas ele insistia em continuar. Como ele não me deu ouvidos, tomei uma atitude drástica. Determinei que todos então ficaríamos dentro de casa para que ele aprendesse a me dar ouvidos. E passei um bom tempo tendo que lidar com um pequeno choroso e indignado com a minha solução. Naquela mesma noite eu sonhei com ele. Eu estava do lado da sua cama na UTI, ele acordava, me olhava, sentava-se e me estendia seus bracinhos. Enquanto eu o envolvia num abraço forte, ele dizia apenas duas palavras em meu ouvido: dicupa mamãe... Acordei com o coração aos pulos e corri para a sua cama. Me debrucei sobre ele e repeti sem parar que ele não precisava pedir desculpas, que nem eu nem o respectivo estávamos bravos com ele. Que ele era muito pequeno para entender porque eu pedia tanto para ele ficar longe da piscina. Que nós é que não devíamos ter o deixado tanto tempo sozinho e que iríamos cuidar melhor dele dali para frente. Minha vontade era de abraça-lo forte, envolver o pequeno em meus braços do mesmo modo que tinha feito no sonho, fazer com que ele se sentisse seguro novamente. E me perguntava quanto tempo demoraria até que eu pudesse enfim fazer isso...
Já estávamos completando 15 dias desde o acidente e nosso exército de fé não parava de crescer. Recebíamos mensagens o tempo inteiro de desconhecidos. Gente de todos os lugares e todo tipo de fé. Infinitos corações reunidos numa única crença: a recuperação do pequeno. Cada mensagem recebida era como uma injeção de ânimo e força em nós. Nos emocionava ver tanta gente comovida com a nossa dor, com a nossa causa. Deus não poderia ignorar tanta gente pedindo pelo nosso pequeno. Ele iria nos escutar. Ele iria nos atender. Mas às vezes, em algumas orações e mensagens, eu me deparava com uma frase que eu relutava em pronunciar: não seja feita a minha, mas a Tua vontade. Eu simplesmente não conseguia falar isso. E se a vontade Dele não fosse a mesma que a minha? Eu sentia em meu coração que eu tinha o direito e o dever de pedir exatamente o que eu queria, sem uma segunda opção. Se essa não fosse a vontade Dele, eu poderia tentar convencê-lo, por que não? Angustiada com isso, resolvi me abrir com o respectivo. E então, tomado por uma inspiração que só poderia ser divina, ele me lembrou de duas passagens da Bíblia que mostravam que era possível sim convencer a Deus de atender um pedido, mesmo quando não fosse essa a Sua vontade. Primeiro ele lembrou de como Maria intercedeu junto a Seu Filho, em Caná, na realização do seu primeiro milagre. Ele lhe falou que aquele ainda não era o momento, mas Ela o ignorou e insistiu, e Ele acabou cedendo e realizando o milagre a pedido da Mãe. Nossa Santa intercessora! E segundo, ele me lembrou da estrangeira que cruzou o caminho de Jesus e lhe pediu que expulsasse o demônio que havia tomado conta da sua filha. Jesus explicou-lhe que não iria lhe atender, pois tinha sido enviado para outro povo e não era certo que naquele momento Ele atendesse outros que não fizessem parte do povo escolhido. Ela insistiu e Ele ficou comovido com a sua fé, atendendo a seu pedido. Vai, tua fé lhe salvou. Não, eu não precisava me resignar, eu podia pedir sim. Insistir, até que Ele se comovesse com a minha fé.
Nos dias que se seguiram, começamos as nos preparar para uma prova de fogo que o pequeno iria enfrentar: a retirada do tubo respiratório. Antes de enfim retirá-lo, eles precisavam testá-lo, diminuindo aos poucos os parâmetros da ventilação mecânica, para ver se o pequeno iria compensar com esforço respiratório próprio. E ele passou com louvor nos testes. Na manhã que iriam retirar o tubo, estávamos cheios de esperança e nos colocamos ao seu lado conversando, chamando-o para brincar com a gente. Enumerávamos uma a uma as brincadeiras que ele mais gostava e convidávamos: acorda pequeno, vamos para casa brincar! Quanto mais a gente falava, mais ele se mexia na cama. Ía mexendo os pezinhos, pernas, braços, cabeça. Parecia querer se espreguiçar, ensaiando para enfim abrir os olhos e levantar da cama, como se nada tivesse acontecido. Ele não acordou e voltou a ficar quietinho. Mas em nossos corações sentíamos, tinha sido por muito pouco. Talvez o tubo estivesse impedindo ele de alguma forma. Toda vez que eu imaginava ele acordando entubado, eu me angustiava imaginando o desconforto que ele provavelmente iria sentir, com o desespero que iria tomar conta dele com uma coisa tão invasiva dentro da sua boca e garganta. Talvez fosse isso que faltasse. Talvez Deus, em sua infinita bondade, tenho guardado o momento do pequeno acordar para quando ele não estivesse mais preso a essa máquina. Agora não faltaria mais, o tubo seria finalmente retirado naquela tarde.
Voltamos cheios de ansiedade do almoço, esperando encontrar o pequeno extubado. Dito e feito. Lá estava ele, lindo, perfeito e sem máquina alguma presa nele. A boquinha livre e pronta para abrir o mais largo sorriso quando seus olhos se abrissem. Nos aproximamos e vimos que a sua respiração estava pesada, barulhenta. Lembrava muito o chiado que meu peito fazia durante as minhas crises de bronquite asmática. Ele parecia tão frágil e vulnerável respirando daquele jeito e aquilo me enchia de dor. Nos explicaram que era uma consequência do tempo de uso da ventilação mecânica. Que ela produzia como efeito colateral um pouco de secreção no pulmão e que o pequeno teria que, além de respirar por conta própria, dar um jeito de se livrar da secreção, seja pelo reflexo da tosse ou da deglutição. Até então ele não tinha tossido nem engolido. Mas ele iria, eu tinha certeza disso. Mais tarde, naquele mesmo dia, os médicos voltaram para analisar o pequeno. O semblante era de preocupação. O pequeno não havia mostrado nenhum sinal de que estava tentando se livrar da secreção. Talvez fosse preciso fazer uma traqueostomia nele. Iriam esperar alguns dias para ter certeza, mas a situação mostrava que era bem provável que isso acontecesse. Talvez aquele fosse o momento de começarmos a pensar em como seria a vida do pequeno dali para frente. Se ele passaria a residir no hospital ou se montaríamos uma estrutura de hospital em casa. O fato era que ele iria precisar de toda uma estrutura para comportar esse novo estado de vida vegetativo dele. Cada palavra ouvida entrava em meu coração como mil lâminas de espadas. Calma. Para tudo. Como assim?!? Ele acabou de tirar o tubo, começamos o dia certos de que ele iria acordar todo serelepe e agora estávamos ali ouvindo sobre como seria a vida do nosso pequeno para sempre acamado e dependente. Não é real isso, não pode ser. Olhei incrédula para os médicos e perguntei: mas não existe chance dele melhorar? Se fosse para isso acontecer, já teria acontecido a essa altura do campeonato. O que vocês estão me dizendo é que meu filho nunca mais irá nem ao menos acordar? Muito difícil que isso aconteça, mãe.

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Nota sobre o atual estado de saúde do pequeno: ele continua na UTI se recuperando das complicações pós-cirúrgicas da gastrostomia. Dessa vez, uma úlcera no estômago está o impedindo de receber a dieta da maneira como deveria. Está sendo tratado e em breve devem retomar a alimentação pela gastro. Apenas isso atualmente nos impede de voltar para casa. Se ele conseguir se alimentar regularmente pela sonda, poderá enfim ter alta hospitalar.
A pequena finalmente chegou.
https://www.instagram.com/manutbmeirelles/

16 comentários:

  1. Maria passa na frente!

    Mãezinha,

    Acabei de saber sobre o seu pequeno.
    Não sei muito o que dizer...
    Então, estou rezando por ele e toda sua família.
    Deus é contigo!
    Ahhhh parabéns pela chegada da pequena!
    Chuva de bençãos em suas vidas e que Deus os proteja e que Maria Os cubra com o seu manto sagrado.

    Vai dar tudo certo!

    S2

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    1. Muito obrigada querida pelo seu apoio e pelas suas orações!!
      Mensagens como a sua renovam mais ainda a minha fé ;)

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  2. Manu, acabei de saber de sua história. Que Deus ilumine e proteja o pequeno Arthur, lendo seus textos tive certeza de um final feliz! Continue com essa sua linda fé, Deus nunca vai te abandonar. Estarei aqui acompanhando cada melhora do seu pequeno e comemore sempre, mesmo q a melhora do dia não seja tão significativa! E nunca duvide: para Deus nada é impossível!
    Um beijo no coração de vcs com mta força e fé

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    1. Nem sei como agradecer a sua mensagem!! Tanto carinho e tanta fé em tão poucas palavras!! Que os anjos digam amém a cada uma delas ;)

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  3. Vocês estarão em minhas orações daqui por diante, todos os dias, ate a cura total do seu pequeno. Que Deus continue carregando voces no colo. Um abraço, Marta

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    1. Amem!! Obrigada por cada uma das suas orações!!

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  4. "Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?
    E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente.
    E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago.
    E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.
    E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme.
    E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada.
    E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te.
    E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto."
    (Marcos 5:35-42)

    Sys querida!
    NÃO TEMAS, CRÊ SOMENTE! Foi isso o que Jesus disse aos principais da sinagago e provavelmente a todos que zombavam dele quando afirmou que a menina apenas dormia.
    Para Deus nada é impossível; e apesar do tempo dele nos parecer que está atrasando... não está! Ele está operando este milagre de uma forma tão linda, que prepara os nossos coraçãos e está abrindo nossos olhos para que possamos ver toda a dua gloria!!!! Estou certa disso, e dai vem a minha paz!
    Nao temas, crê somente; te diz Jesus!
    Te amo... junto contigo, sempre!

    E bem-vinda Malu linda! A tia te amo ao infinito! Voce nasceu numa familia muito especial. E sera muito feliz nela!

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    1. Obrigada sempre sys por dividir de uma maneira tão única essa caminhada comigo!! Te amo muito!!

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  5. Manu continuamos todos aqui firmes em orações pelo pequeno, a corrente é grande e Deus há de nos atender!!!Parabens pela Malu! Ela é linda e veio trazer muita luz pra vcs! Beijo grande!

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    1. Selma querida, muito obrigada por todo o apoio!! Bjo no coração ;)

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  6. Manzinha maravilhosa abemcoada por Deus
    Acabeo de sa er da sia bisyoria, pelo grupo de mamaes do face, meu coracao esta em pedacos imaginando a sua dor. Mas se encha de esperanca e fe com essa nova vida q lhe foi entregue. Que ela mude e td em vc. CREIO q podemos convencer Deus a mudar de ideia. E c toda certeza, a partir de hj sua famjlia entrou em minhas orcaoes. Sou de SP e se um dia for a Jaragua ( imagino q seja ao q vc more, pelo fato de ter citado o pq. Malwee) gostaria de te dar um abraco e todo meu apoio de mae. Fique em paz. Que Jesus abencoe vcs 4. Um beijo grande.

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    1. Erica querida, não sei nem como te agradecer!!
      Estamos em Jaraguá sim e vamos adorar te receber ;)
      Espero de coração que Deus receba e atenda cada uma das suas orações e palavras. Que nossa fé somada possa tocar Seu coração divino!!

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  7. Manu, ler os seus relatos só me enche de fé nesse nosso Deus tão maravilhoso. Vcs com certeza já estão fazendo o q está escrito no Salmo 50: "restitui-me a alegria da salvação e sustentai-me com uma vontade generosa. Então aos maus ensinarei vossos caminhos e voltarão a vós os pecadores. Deus, ó Deus, meu salvador, livrei-me da pena desse sangue derramado, e a vossa misericórdia a minha língua portuguesa exaltará"
    Deus há de cumprir a Sua promessa! Ele têm nos escutado! Vcs estão em nossas orações todos os dias!

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    1. Que salmo lindo!! Eu não conhecia, muito obrigada por dividir comigo!!
      E obrigada pelas suas orações e pela mensagem carinhosa ;)

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  8. Manu, vou rezar muito para vc e sua familia! O Arthur é um guerreiro e sairá dessa!!!! Que a sua pequena te dê ainda mais força para continuar nesta batalha! Um abraço apertado! Paula

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    1. Paula querida, muito obrigada!! Que os anjos digam amém a cada uma das suas orações!!

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